SUS completa 35 anos como referência em saúde pública

O SUS, que celebra 35 anos, é um pilar fundamental da saúde pública no Brasil, garantindo acesso universal e gratuito a serviços de saúde. Entre suas conquistas estão a erradicação de doenças por meio de campanhas de vacinação. No entanto, o sistema enfrenta desafios sérios, como a falta de recursos e profissionais em áreas remotas. O financiamento contínuo e a participação da comunidade são essenciais para manter e expandir os serviços de saúde oferecidos pelo SUS, abordando as necessidades da população de forma eficaz.

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Como funciona o SUS no Brasil: princípios, financiamento, resultados e desafios

O Sistema Único de Saúde (SUS) representa uma das maiores conquistas sociais do Brasil pós-redemocratização. Ao mesmo tempo, convive com desafios estruturais que limitam seu potencial de oferecer atendimento uniforme e de qualidade em todo o território nacional.

Painel Saude SUS Sistema Único de Saúde 35 anos

Apesar de seu papel central na saúde pública brasileira, o SUS opera hoje sob limitações estruturais que afetam diretamente o acesso a consultas, exames e cirurgias. Um dos pontos que mais geram frustração na população é a chamada “fila do SUS”, frequentemente imaginada como uma lista única e transparente — algo que, na prática, não existe na maior parte do país.

Como explicamos neste guia completo e realista sobre como funciona a fila do SUS, o que o cidadão normalmente consegue acompanhar é apenas o status administrativo do pedido (como “em regulação” ou “aguardando vaga”), e não uma posição numérica ordenada em uma fila nacional.

O que é o SUS e por que ele existe

O Sistema Único de Saúde nasce da Constituição Federal de 1988, momento histórico em que a saúde passa a ser reconhecida como direito de todos e dever do Estado. Regulamentado pelas Leis 8.080/1990 e 8.142/1990, o SUS rompe com o modelo anterior, que oferecia assistência médica apenas a trabalhadores formais vinculados à Previdência Social.

A partir da Constituição cidadã, o Brasil adota a lógica de acesso universal: qualquer pessoa em território nacional, brasileira ou estrangeira, tem direito ao atendimento público de saúde, independentemente de contribuição prévia ou vínculo empregatício.

Um sistema que vai além de consultas e internações

O SUS abrange um espectro muito mais amplo do que se imagina. O sistema é responsável por:

  • Vacinação em todo o território nacional
  • Vigilância epidemiológica e controle de epidemias
  • Regulação sanitária de alimentos e medicamentos
  • Programa Nacional de Transplantes
  • Assistência farmacêutica gratuita
  • Ações de saúde ambiental
  • Rede de atenção básica com mais de 45 mil unidades

Isso significa que mesmo pessoas que possuem planos de saúde privados são usuárias indiretas do SUS, seja ao receber vacinas do calendário nacional, ao se beneficiar do controle de surtos de doenças ou ao ter acesso a medicamentos de alto custo para doenças raras.

Princípios e diretrizes: o desenho institucional do SUS

O Sistema Único de Saúde é orientado por três princípios doutrinários fundamentais que definem sua identidade e missão:

Universalidade

Todos os cidadãos têm direito de acesso às ações e serviços de saúde, sem barreiras impostas por renda, vínculo empregatício, tipo de doença ou qualquer outra forma de discriminação. A universalidade garante que nenhuma pessoa seja excluída do sistema por não poder pagar.

Integralidade

O sistema deve ofertar um conjunto articulado de ações que vão desde a promoção e prevenção até o tratamento e a reabilitação. A integralidade pressupõe que o SUS não se limite a tratar doenças, mas atue em todos os níveis de cuidado necessários para garantir a saúde da população.

Equidade

Políticas e recursos devem considerar as desigualdades sociais e regionais existentes no país, investindo proporcionalmente mais onde a vulnerabilidade é maior. Tratar desigualmente os desiguais é a essência da equidade, buscando reduzir disparidades no acesso e nos resultados em saúde.

Diretrizes organizacionais

Do ponto de vista da organização do sistema, destacam-se três diretrizes principais:

Descentralização com direção única: Competências e responsabilidades são distribuídas entre União, estados e municípios, cada um com autonomia em sua esfera de governo. A União formula políticas nacionais e coordena grandes ações, os estados organizam redes regionais, e os municípios executam diretamente a maior parte dos serviços.

Regionalização e hierarquização: A rede é estruturada em níveis de atenção (primária, média e alta complexidade) e organizada em regiões de saúde, evitando duplicidades e vazios assistenciais. O objetivo é garantir que cada usuário acesse o nível de cuidado adequado às suas necessidades.

Participação social: Conselhos de saúde e conferências permitem que a sociedade civil participe formalmente da formulação de políticas, planos e orçamentos. Embora a efetividade dessa participação varie entre regiões, o mecanismo institucional existe e representa um diferencial democrático importante.

Como o SUS funciona no dia a dia

Em condições ideais, o funcionamento do SUS segue uma lógica hierarquizada e regionalizada, com fluxos bem definidos de atendimento.

Atenção Primária: a porta de entrada

A Atenção Primária, estruturada principalmente pela Estratégia Saúde da Família (ESF), constitui a porta de entrada preferencial do sistema. Equipes multiprofissionais compostas por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde são responsáveis por territórios definidos.

Essas equipes realizam:

  • Acompanhamento de gestantes, crianças e pessoas com doenças crônicas
  • Vacinação de rotina e campanhas específicas
  • Rastreio e diagnóstico precoce de doenças
  • Coordenação do cuidado e encaminhamentos quando necessário
  • Ações de promoção da saúde e prevenção de doenças

O fortalecimento da atenção primária reduz significativamente a demanda por emergências e internações evitáveis, tornando o sistema mais eficiente e resolutivo.

Média e alta complexidade

Quando o problema de saúde exige exames, consultas especializadas ou procedimentos mais complexos, o paciente é encaminhado para outros níveis de atenção:

  • Ambulatórios especializados
  • Centros de diagnóstico por imagem
  • Hospitais gerais
  • Hospitais de referência em alta complexidade
  • Centros de tratamento oncológico
  • Unidades de terapia intensiva

A regulação de leitos e procedimentos busca ordenar esse fluxo, mas muitos usuários enfrentam gargalos significativos: filas longas para cirurgias eletivas, esperas prolongadas por exames especializados e dificuldade de acesso em regiões com baixa oferta de serviços.

Quem paga a conta: financiamento público e privado

O financiamento do SUS é tripartite, com União, estados e municípios aportando recursos com base em percentuais mínimos de suas receitas e em transferências vinculadas.

O gasto público em saúde no Brasil

Em termos de esforço público, o Brasil investe cerca de 4% a 4,5% do PIB em saúde pública, somando os três níveis de governo. Esse percentual fica abaixo de países com sistemas universais consolidados, que frequentemente operam com 6% a 8% do PIB destinados à saúde pública.

Ao mesmo tempo, o gasto total em saúde no Brasil (público mais privado) gira em torno de 9% a 10% do PIB, próximo de economias desenvolvidas. Esse dado revela um traço peculiar do sistema brasileiro: o país combina um setor público subfinanciado com um peso relevante de planos de saúde privados e desembolso direto das famílias.

Isso ajuda a explicar por que uma parcela importante da população recorre ao sistema suplementar para consultas e exames de rotina, enquanto ainda depende do SUS para alta complexidade, medicamentos de alto custo, transplantes e ações coletivas de saúde pública.

Distribuição de recursos entre níveis de governo

A União responde pela maior parte do financiamento (cerca de 45% a 50% do total), seguida por estados (25% a 30%) e municípios (25% a 30%). Os municípios, apesar de concentrarem a execução direta dos serviços, enfrentam limitações orçamentárias significativas, especialmente em localidades pequenas e pobres.

As transferências federais incluem:

  • Piso de Atenção Básica (PAB)
  • Média e Alta Complexidade (MAC)
  • Vigilância em Saúde
  • Assistência Farmacêutica
  • Gestão do SUS
  • Investimentos em infraestrutura

SUS em números: comparação internacional

Quando se compara o esforço social amplo, o Brasil destina cerca de 4% a 4,5% do PIB à saúde pública e algo entre 1,7% e 2% do PIB a programas de assistência social focalizada, além de um peso alto da previdência, na casa de 12% a 13% do PIB.

Já os Estados Unidos, por exemplo, têm gasto público em saúde que chega a 8% a 9% do PIB (principalmente via Medicare e Medicaid), somado a 4% a 5% do PIB em assistência social, resultando em 13% a 14% do PIB apenas em saúde e assistência públicas.

Esses números desmontam a ideia simplista de que bens de consumo são mais caros no Brasil “por causa do SUS”. Países que gastam consideravelmente mais em saúde pública não necessariamente exibem preços mais altos por esse motivo específico. Fatores como produtividade, câmbio, estrutura tributária, carga de impostos indiretos e competição em mercados específicos têm muito mais peso na formação de preços relativos do que a existência de um sistema universal de saúde.

Resultados do SUS: avanços concretos e mensuráveis

Avaliações de desempenho e estudos acadêmicos mostram que o SUS teve papel central em diversos avanços na saúde pública brasileira nas últimas três décadas.

Redução da mortalidade infantil

A taxa de mortalidade infantil no Brasil caiu de aproximadamente 47 mortes por mil nascidos vivos em 1990 para cerca de 12 por mil em 2020. Essa queda expressiva está diretamente relacionada à expansão da cobertura de pré-natal, partos assistidos em ambiente hospitalar, vacinação e acompanhamento de recém-nascidos pela atenção primária.

Programa Nacional de Imunizações

O Brasil possui um dos programas de vacinação mais abrangentes do mundo, oferecendo gratuitamente mais de 20 vacinas diferentes para toda a população. A cobertura vacinal ampla foi fundamental para a erradicação da poliomielite, controle do sarampo e redução drástica de doenças imunopreveníveis.

Política de HIV/Aids

A distribuição gratuita e universal de antirretrovirais para pessoas vivendo com HIV/Aids, iniciada nos anos 1990, é reconhecida internacionalmente como modelo de sucesso. O Brasil foi pioneiro em garantir acesso a tratamento de alta complexidade independentemente da capacidade de pagamento dos pacientes.

Estratégia Saúde da Família

A expansão da ESF levou atendimento básico de saúde a regiões antes completamente desassistidas. Estudos demonstram que municípios com maior cobertura da Saúde da Família apresentam melhores indicadores de saúde e menor necessidade de internações por condições sensíveis à atenção primária.

Proteção financeira

O SUS garante proteção financeira importante para milhões de famílias brasileiras. Sem o sistema público, muitas famílias seriam empurradas para o empobrecimento por gastos catastróficos com internações, cirurgias e tratamentos de alta complexidade. A existência de uma rede pública que realiza transplantes, diálise, terapias oncológicas e tratamentos de doenças raras com financiamento coletivo representa um diferencial significativo em relação a modelos puramente baseados em seguros privados.

Desafios crônicos: onde o SUS falha

Apesar dos avanços inegáveis, o SUS enfrenta problemas estruturais sérios que comprometem sua capacidade de entregar atendimento de qualidade de forma universal e equânime.

Subfinanciamento crônico

O principal problema estrutural é o subfinanciamento em relação ao tamanho da população e à complexidade das necessidades de saúde. Esse subfinanciamento se traduz em:

  • Infraestrutura precária em muitos municípios
  • Falta de equipamentos básicos e medicamentos em unidades de saúde
  • Carência de profissionais, especialmente em áreas remotas
  • Filas extensas para procedimentos de média e alta complexidade
  • Dificuldade de manutenção e expansão da rede

Em cenários de restrição fiscal, a saúde compete com outras áreas prioritárias por recursos limitados. Medidas de teto de gastos ou compressão orçamentária tendem a penalizar justamente os serviços que mais dependem de financiamento público estável e previsível.

Desigualdade regional acentuada

Grandes centros urbanos costumam concentrar hospitais, especialistas, equipamentos de diagnóstico e tratamento, enquanto regiões do interior e áreas periféricas enfrentam vazios assistenciais significativos.

Essa concentração territorial de recursos contradiz frontalmente o princípio da equidade e dificulta que populações vulneráveis acessem serviços além da atenção básica. Muitos pacientes precisam se deslocar centenas de quilômetros para realizar exames ou consultas especializadas, arcando com custos de transporte e hospedagem que o sistema não cobre adequadamente.

Problemas de gestão e governança

Há problemas recorrentes relacionados à gestão do sistema:

  • Baixa integração entre sistemas de informação
  • Processos de compras ineficientes
  • Falta de planejamento estratégico de longo prazo
  • Variações severas de qualidade entre unidades e redes
  • Conflitos federativos que prejudicam a coordenação
  • Rotatividade de gestores e descontinuidade de políticas

A descentralização, embora seja um princípio importante, também traz desafios de coordenação. Municípios pequenos frequentemente não têm escala ou capacidade técnica para gerir sozinhos toda a complexidade do sistema, e mecanismos de cooperação intermunicipal nem sempre funcionam adequadamente.

Acesso desigual e filas

Mesmo nas grandes cidades, o acesso a procedimentos de média e alta complexidade é marcado por filas longas. Cirurgias eletivas, consultas com especialistas e exames como ressonância magnética ou tomografia podem ter tempos de espera de meses ou até anos em algumas regiões.

Esse gargalo no acesso compromete a integralidade do cuidado e frustra usuários, que muitas vezes recorrem a gastos privados para acelerar atendimentos quando têm alguma capacidade financeira.

Pandemias e emergências: o teste de estresse

A pandemia de COVID-19 expôs tanto a dependência estrutural do Brasil em relação ao SUS quanto suas fragilidades históricas.

O papel do SUS durante a pandemia

De um lado, a capilaridade da atenção básica, a estrutura de vigilância epidemiológica, a capacidade de expandir leitos de UTI em tempo relativamente curto e a coordenação nacional de vacinação foram fundamentais para evitar um cenário ainda mais dramático.

O Programa Nacional de Imunizações demonstrou sua capacidade logística ao vacinar mais de 180 milhões de brasileiros em menos de dois anos, organizando campanhas em todos os municípios do país. Mesmo com todos os desafios, o SUS foi responsável pela aplicação da imensa maioria das doses de vacina contra COVID-19.

Exposição de fragilidades

Por outro lado, deficiências de coordenação federativa, disputas políticas em torno de medidas sanitárias, atrasos em decisões estratégicas e falta de investimento prévio em infraestrutura mostraram como o desenho institucional pode ser sabotado por falhas de governança e subfinanciamento crônico.

A falta de leitos de UTI em muitas regiões, a escassez de equipamentos de proteção individual, os problemas na distribuição de oxigênio e medicamentos, e a sobrecarga dos profissionais de saúde evidenciaram limites que vinham sendo construídos há anos por restrições orçamentárias sucessivas.

Em uma leitura equilibrada, a pandemia funciona como um “teste de estresse” que confirma a importância da infraestrutura pública construída desde 1988, mas também revela o custo acumulado de anos de subfinanciamento e baixa priorização política do sistema de saúde.

Formatec-SUS: investindo na formação de profissionais técnicos

Reconhecendo a importância dos profissionais técnicos para a sustentabilidade do SUS, o Ministério da Saúde instituiu em 2024 o Programa Nacional de Formação Técnica para o SUS (Formatec-SUS), através da Portaria GM/MS nº 9.038.

Estrutura e objetivos do programa

O Formatec-SUS visa expandir e descentralizar a oferta de cursos e especializações técnicas alinhadas às necessidades das redes prioritárias de atenção à saúde. No primeiro ciclo (2025-2026), o programa oferecerá:

  • Mais de 6 mil vagas em cursos técnicos
  • 15 mil vagas para especialização técnica

A iniciativa está articulada com outros programas do Ministério da Saúde, como o Agora tem Especialistas (ATE) e o Mais Médicos, que juntos viabilizaram a implementação de mais de 53 mil equipes multiprofissionais na atenção primária nos 5.571 municípios brasileiros.

Cursos oferecidos

Cursos técnicos:

  • Técnico em Enfermagem
  • Técnico em Equipamentos Biomédicos
  • Técnico em Órteses e Próteses
  • Técnico em Radiologia
  • Técnico em Saúde Bucal

Cursos de especialização técnica:

  • Obstetrícia e Neonatologia
  • Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Adulto
  • UTI Neonatal
  • Oncologia
  • Centro Cirúrgico
  • Instrumentação Cirúrgica
  • Terapia Intensiva
  • Radioterapia
  • Mamografia
  • Densitometria Óssea

Relevância dos profissionais técnicos

De acordo com dados do Departamento de Gestão da Educação na Saúde (DEGES), trabalhadores técnicos de nível médio correspondem a 36,86% da força de trabalho do SUS. Quando somados aos demais trabalhadores de nível médio, representam mais da metade dos profissionais do sistema público de saúde e constituem a base estruturante da assistência.

O Formatec-SUS está conectado ao Novo PAC Saúde, que prevê R$ 6 bilhões em investimentos com impacto direto na demanda por profissionais técnicos, criando milhares de vagas em especialidades estratégicas para o fortalecimento da atenção básica, urgência e emergência, saúde mental e outras áreas prioritárias.

Regiões prioritárias e equidade

O programa estabelece como regiões prioritárias as áreas Norte, Nordeste e Centro-Oeste, justamente onde o déficit assistencial e a carência de profissionais qualificados são mais acentuados. Essa priorização regional está alinhada com o princípio da equidade, buscando reduzir desigualdades históricas no acesso à formação profissional em saúde.

SUS: custo, valor e a narrativa da eficiência

Em termos estritamente econômicos, o SUS é relativamente “barato” para o que entrega. O país opera com gasto público em saúde inferior ao de muitos pares internacionais, mas mantém um sistema universal que cobre a imensa maioria dos procedimentos de alta complexidade e lidera campanhas de vacinação em massa reconhecidas mundialmente.

Isso não significa que não haja desperdício, ineficiências ou problemas de gestão. Significa que o debate sobre “custo” precisa sempre ser acompanhado de uma pergunta sobre o “valor” gerado em termos de vidas salvas, anos de vida saudáveis ganhos e proteção contra empobrecimento por gastos catastróficos em saúde.

Eficiência relativa

Estudos comparativos mostram que o SUS tem eficiência relativa razoável quando se considera o volume de recursos disponíveis. O sistema atende mais de 150 milhões de pessoas que dependem exclusivamente dele, realiza cerca de 4 bilhões de procedimentos ambulatoriais por ano e mais de 11 milhões de internações hospitalares.

A rede de atenção básica, quando funciona adequadamente, é reconhecida como custo-efetiva, prevenindo complicações e reduzindo gastos com emergências e internações. Cada real investido em atenção primária tende a gerar economias muito maiores em outros níveis de atenção.

A questão do subfinanciamento

O principal problema não é o “custo” do SUS em si, mas o fato de que os recursos disponíveis são insuficientes para garantir acesso universal com qualidade adequada. Ampliar o financiamento para patamares comparáveis aos de sistemas universais consolidados (6% a 8% do PIB) permitiria:

  • Reduzir drasticamente as filas de espera
  • Melhorar infraestrutura e equipamentos
  • Ampliar a oferta de serviços em regiões desassistidas
  • Aumentar a remuneração e fixação de profissionais
  • Investir em prevenção e promoção da saúde

Forças e fraquezas: um panorama equilibrado

DimensãoPontos fortesPontos fracos
CoberturaCobertura formal universal, incluindo alta complexidade, transplantes e medicamentos de alto custo.Acesso real desigual, com filas extensas e vazios assistenciais em regiões pobres e remotas.
FinanciamentoFinanciamento solidário via tributos, com proteção financeira relevante para milhões de famílias.Gasto público de aproximadamente 4-4,5% do PIB, considerado baixo para um sistema universal.
ResultadosRedução significativa da mortalidade infantil, expansão vacinal robusta, políticas bem-sucedidas em HIV/Aids e saúde da família.Indicadores sensíveis à atenção primária e qualidade dos serviços variam fortemente entre regiões.
GovernançaEstrutura legal sólida, com participação social institucionalizada e pactuação federativa.Conflitos federativos, subfinanciamento crônico e gestão fragmentada enfraquecem a coordenação.
EquidadeFoco normativo em equidade e priorização de populações vulneráveis nos marcos legais.Persistência de desigualdades territoriais, raciais e socioeconômicas no acesso real aos serviços.
Formação profissionalProgramas como Formatec-SUS investem na qualificação de trabalhadores técnicos em áreas estratégicas.Carência de profissionais qualificados em regiões remotas e dificuldade de fixação de especialistas.

Desafios para compreender o SUS

Primeiro: O SUS é fundamental para a coesão social e para a garantia de um patamar mínimo de cidadania em saúde no Brasil. Sem ele, milhões de pessoas estariam completamente desassistidas e vulneráveis a empobrecimento por gastos com saúde.

Segundo: O sistema é subfinanciado e tem problemas reais de acesso, qualidade e gestão que afetam diretamente a vida das pessoas no dia a dia. Esses problemas não podem ser minimizados ou negados em nome de uma defesa ideológica do SUS.

Terceiro: A comparação internacional e os dados de gasto social mostram que o debate sobre “custo” do SUS deve levar em conta o que o país receberia — ou deixaria de receber — caso não tivesse um sistema universal. O SUS entrega resultados significativos com recursos relativamente limitados.

Os paradoxos do sistema

O SUS opera em múltiplos paradoxos que precisam ser compreendidos para que o debate público seja qualificado:

  • É um sistema universal em um país profundamente desigual
  • É relativamente barato em termos de PIB, mas muito cobrado pela população
  • É robusto em normas e princípios, mas vulnerável a ciclos políticos e restrições fiscais
  • É fundamental para a saúde pública, mas insuficiente para garantir acesso oportuno a todos
  • É admirado internacionalmente, mas criticado intensamente dentro do país

O SUS possível e o SUS necessário

O Sistema Único de Saúde brasileiro não é nem o milagre perfeito que alguns defendem, nem o fracasso total que outros proclamam. É um sistema real, operando em um país com recursos limitados, desigualdades profundas e desafios imensos.

O SUS combina ganhos robustos em indicadores de saúde com gargalos sérios que prejudicam o acesso e a qualidade do atendimento. Qualquer julgamento sobre sua eficiência precisa considerar o contexto de restrição fiscal, desigualdade social e o legado histórico de exclusão em saúde que marcou o Brasil até muito recentemente.

O debate produtivo sobre o futuro do SUS não deve perguntar “se o SUS funciona”, mas sim “como fazer o SUS funcionar melhor”. Isso passa necessariamente por:

  • Ampliar o financiamento público em saúde
  • Melhorar a gestão e a governança do sistema
  • Fortalecer a atenção primária como coordenadora do cuidado
  • Reduzir desigualdades regionais no acesso
  • Investir na formação e fixação de profissionais
  • Integrar sistemas de informação
  • Garantir continuidade de políticas públicas efetivas

O SUS é uma conquista civilizatória que precisa ser defendida, mas também aprimorada continuamente. Reconhecer suas limitações não enfraquece o sistema — pelo contrário, é o primeiro passo para construir o SUS que a população brasileira realmente merece e necessita.

Principais realizações do SUS

Una das conquistas mais significativas é a ampliação da vacinação. O SUS implementou campanhas que erradicaram doenças como a poliomielite e sarampo. Além disso, o sistema também trouxe a atenção básica para a saúde, o que significa que as pessoas têm onde ir para cuidados de saúde diários.

Desafios que o SUS enfrenta

Apesar dos avanços, o SUS ainda enfrenta grandes desafios. A falta de recursos e de profissionais em algumas regiões é uma preocupação constante. Em áreas remotas, as pessoas podem viajar longas distâncias para receber tratamento, o que pode ser complicado.

A importância do financiamento para o SUS

O financiamento é um dos fatores mais importantes para a sobrevivência do SUS. Com mais investimento, é possível melhorar os serviços e garantir que mais pessoas tenham acesso a tratamentos de qualidade. O governo precisa garantir que esse financiamento seja mantido e até ampliado.

O papel da comunidade

As comunidades também têm um papel crucial no sucesso do SUS. É fundamental que as pessoas se envolvam e conheçam os serviços disponíveis. Participar de campanhas de saúde pode fazer a diferença na vida de muitos.

Perguntas Frequentes sobre o SUS

Qual é a principal conquista do SUS ao longo dos anos?

A principal conquista do SUS foi a ampliação da vacinação, que erradicou doenças como a poliomielite e sarampo.

Quais são os desafios enfrentados pelo SUS?

Os principais desafios incluem a falta de recursos e a escassez de profissionais de saúde em regiões remotas.

Como o financiamento é importante para o SUS?

O financiamento é crucial para melhorar os serviços de saúde e garantir acesso à população a tratamentos de qualidade.

Qual é o papel da comunidade no SUS?

A comunidade deve se envolver e conhecer os serviços disponíveis, além de participar de campanhas de saúde.

Quais serviços básicos o SUS oferece?

O SUS oferece serviços como atenção básica, vacinação, atendimento hospitalar e programas de saúde preventiva.

Fonte: SUS

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