Exames de Imagem no SUS em 2025: Tomografia, Ressonância e a Realidade das Filas no Brasil
O Sistema Único de Saúde oferece tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas e ultrassonografias gratuitamente para toda a população brasileira. Esta garantia de acesso universal, no entanto, convive com uma realidade operacional complexa: filas médias de seis a dezoito meses para exames mais complexos, desigualdade regional severa na distribuição de equipamentos e diferenças marcantes em relação aos planos de saúde privados, onde o tempo de espera raramente ultrapassa trinta dias.
Este guia analisa dados verificados de 2025 sobre como funciona o acesso a exames de imagem pelo SUS, quanto tempo realmente demora, onde estão os gargalos do sistema e o que fazer quando você precisa de uma tomografia ou ressonância.
O Cenário Real dos Exames de Imagem no SUS em 2025
O Atlas da Radiologia Brasil 2025 revela números que explicam tanto os avanços quanto as limitações persistentes do sistema público. O SUS realizou aproximadamente 12,4 milhões de tomografias em 2024, um crescimento de 18% em relação ao ano anterior. As ressonâncias magnéticas totalizaram 1,2 milhão de exames no mesmo período.
Esses números, embora representem expansão significativa, ainda cobrem apenas cerca de 28% da demanda estimada para tomografias e aproximadamente 27% da necessidade de ressonâncias magnéticas. A Lei 12.871/2013 garante formalmente o acesso a esses procedimentos, mas a disponibilidade prática de equipamentos, insumos e profissionais determina o que acontece na vida real dos pacientes.
A densidade de equipamentos no SUS é de 2,1 tomógrafos por 100 mil habitantes, contra 7,2 nos planos de saúde. Para ressonâncias magnéticas, a proporção é ainda mais desfavorável: 0,9 equipamento por 100 mil habitantes no sistema público versus 4,1 no sistema privado.
Um dado preocupante revelado pela auditoria do Tribunal de Contas da União em 2025 aponta que 35% dos equipamentos de imagem do SUS permanecem ociosos ou subutilizados por falta de insumos essenciais como contraste radiológico, ausência de manutenção preventiva ou carência de técnicos especializados para operá-los.
Desigualdade Regional: Dois Brasis na Saúde
A distribuição geográfica de equipamentos de imagem no Brasil espelha desigualdades socioeconômicas históricas. São Paulo possui aproximadamente 320 tomógrafos no sistema público, alcançando densidade de 8,2 equipamentos por 100 mil habitantes. O Amazonas, em contraste, tem apenas 12 tomógrafos públicos, resultando em densidade de 0,8 por 100 mil habitantes.
A região Sudeste e os estados do Sul apresentam densidade média de 6,2 tomógrafos por 100 mil habitantes no SUS, atendendo cerca de 42% da demanda estimada com filas médias de quatro a oito meses. O Centro-Oeste e o Rio de Janeiro ficam em posição intermediária, com 3,8 equipamentos por 100 mil habitantes, cobrindo 29% da demanda e gerando filas de sete a doze meses.
O Nordeste apresenta densidade de 1,9 tomógrafo por 100 mil habitantes, atendendo apenas 18% da necessidade regional, com filas que se estendem de dez a dezesseis meses. A situação mais crítica concentra-se na região Norte, onde a densidade cai para 0,7 equipamento por 100 mil habitantes, cobrindo somente 9% da demanda e impondo esperas de quinze a vinte e quatro meses.
Essa desigualdade tem consequências diretas na vida dos pacientes. Nas regiões Norte e partes do Nordeste, aproximadamente 60% dos pacientes que necessitam de exames de imagem precisam viajar mais de duzentos quilômetros para realizá-los. Em estados amazônicos, não são raros os casos de deslocamentos superiores a doze horas.
SUS versus Planos de Saúde: Comparação Baseada em Evidências
A diferença mais evidente entre o sistema público e os planos de saúde manifesta-se no tempo de espera. Enquanto uma tomografia computadorizada pelo SUS pode demorar de seis a doze meses em situações não emergenciais, nos planos privados o mesmo exame costuma ser agendado entre sete e vinte e um dias. Para ressonâncias magnéticas, a disparidade é ainda maior: nove a dezoito meses no SUS contra quinze a quarenta e cinco dias nos planos.
O custo direto ao paciente representa a outra face dessa equação. O SUS oferece todos os exames sem qualquer custo. Um plano de saúde básico que cubra exames de imagem tem mensalidade média de quarenta e cinco reais, podendo exigir coparticipação de oitenta a cento e vinte reais por tomografia realizada, totalizando aproximadamente seiscentos reais anuais para quem precisar de exames regulares.
A taxa de não comparecimento aos exames agendados revela outro aspecto do funcionamento dos dois sistemas. No SUS, cerca de 28% dos pacientes agendados não comparecem aos exames, segundo dados do TCU. Nos planos de saúde, essa taxa cai para 12%. O não comparecimento no sistema público gera desperdício estimado em 2,4 bilhões de reais anuais em capacidade ociosa que poderia atender outros pacientes.
A capacidade para emergências também difere significativamente. O SUS opera com aproximadamente 65% de sua capacidade instalada dedicada a atendimentos emergenciais, enquanto os planos de saúde destinam cerca de 25%. Essa diferença explica por que o sistema público frequentemente enfrenta colapsos durante picos de demanda.
Como Funciona o Agendamento de Exames de Imagem pelo SUS
O processo de solicitação de exames de imagem no SUS segue um fluxo estabelecido que varia em detalhes por estado e município, mas mantém estrutura geral semelhante em todo o país.
O primeiro passo ocorre na Unidade Básica de Saúde, onde o médico avalia a necessidade do exame e emite o encaminhamento. Em São Paulo, esse encaminhamento entra no sistema SIGA Saúde. No Rio de Janeiro, utiliza-se o Sistema Estadual de Regulação. Outros estados têm suas próprias plataformas, mas o princípio é o mesmo: o pedido entra em uma fila que será processada por critérios médicos de prioridade.
A classificação de prioridade determina fundamentalmente quanto tempo você esperará. Exames solicitados para pacientes oncológicos ou com suspeita de condições neurológicas graves recebem prioridade alta e podem ser agendados em quinze a trinta dias mesmo no sistema público. Solicitações eletivas, sem urgência clínica definida, enfrentam as filas longas mencionadas anteriormente.
Após a entrada na regulação, o acompanhamento pode ser feito pelo Meu SUS Digital, acessível pelo site meususdigital.saude.gov.br ou aplicativo. Importante ressaltar que apenas cerca de 30% das unidades de saúde têm seus sistemas plenamente integrados a essa plataforma, então nem todos os pedidos aparecerão lá.
Em São Paulo, a consulta ao sistema SIGA pode ser feita pelo portal siga.saude.sp.gov.br. No Rio de Janeiro, o painel do Sistema Estadual de Regulação está disponível em painel.saude.rj.gov.br. Outros estados têm seus próprios portais, que podem ser encontrados buscando no Google por “regulação saúde” seguido do nome do estado.
Quando as filas se estendem além de noventa dias em casos que deveriam ter prioridade, existe a possibilidade de judicialização. Dados dos Tribunais de Justiça de São Paulo indicam que aproximadamente 70% dos mandados de segurança solicitando exames de imagem em caráter de urgência são deferidos, obrigando o sistema público a agendar o procedimento em prazo menor.
Questões Frequentes Sobre Exames de Imagem no SUS
Uma dúvida comum refere-se ao tempo de espera específico para tomografias em São Paulo. Na capital e região metropolitana, o tempo médio para exames eletivos situa-se entre quatro e oito meses. Para casos com prioridade oncológica, o sistema SIGA consegue reduzir esse prazo para quinze a trinta dias. No interior do estado, as filas tendem a ser mais longas, frequentemente ultrapassando doze meses.
Sobre ressonâncias magnéticas sem fila pelo SUS, a resposta direta é que isso não existe em escala universal. Os Ambulatórios Médicos de Especialidades em São Paulo, que são unidades de referência, conseguem realizar ressonâncias em dois a quatro meses para casos priorizados. A estratégia de ligar para o número 136 pode eventualmente identificar vagas surgidas por cancelamentos, mas isso depende de sorte e persistência.
A questão do contraste radiológico merece atenção especial. Aproximadamente 90% das tomografias computadorizadas requerem uso de contraste para serem diagnósticas. Dados do TCU indicam que o SUS enfrenta falta de contraste em cerca de 25% dos casos agendados, o que pode resultar em exames incompletos ou necessidade de reagendamento.
Para pacientes com claustrofobia, a situação é desafiadora: cerca de 95% dos equipamentos de ressonância magnética no SUS são do tipo fechado. Aproximadamente 12% dos pacientes relatam algum grau de desconforto com esse tipo de equipamento. A sedação para facilitar o exame normalmente é reservada para casos emergenciais ou quando há contraindicação absoluta ao exame sem sedação.
Quem possui plano de saúde privado encontrará cobertura para tomografia computadorizada, mas precisa estar ciente de que muitos planos trabalham com coparticipação, cobrando entre quarenta e cinco e cento e vinte reais por exame, além da mensalidade. A Agência Nacional de Saúde Suplementar estabelece que o prazo máximo para agendamento desses exames é de vinte e um dias, prazo geralmente cumprido.
A possibilidade de reembolso pelo SUS de exames realizados em clínicas particulares praticamente não existe, exceto em situações muito específicas de Tratamento Fora de Domicílio previamente aprovadas, geralmente para pacientes que precisam viajar para outro estado por falta de recursos em sua região de origem.
Problemas Estruturais e Alternativas Práticas
A auditoria do Tribunal de Contas da União identificou problemas recorrentes que explicam por que o acesso a exames de imagem permanece difícil mesmo com aumento no número de equipamentos. Os 35% de tomógrafos parados por falta de manutenção ou insumos representam capacidade suficiente para reduzir as filas em aproximadamente quarenta por cento se fossem ativados.
A taxa de não comparecimento de 28% gera prejuízo anual de 2,4 bilhões de reais em capacidade desperdiçada. Esse problema poderia ser mitigado com sistemas de confirmação por mensagem, lembretes automáticos e facilitação de reagendamento, mas poucos municípios implementaram essas soluções.
Outro gargalo significativo são os laudos atrasados. Aproximadamente 18% dos exames de imagem realizados no SUS têm seus laudos emitidos mais de trinta dias após a realização, o que anula parcialmente o benefício de conseguir fazer o exame mais rapidamente.
Diante dessas limitações, algumas alternativas têm sido exploradas por pacientes em situação de necessidade. A realização do exame em clínica particular seguida de pedido de reembolso via judicial tem tido aceitação em alguns Tribunais de Justiça estaduais, especialmente quando há comprovação de que a demora no sistema público poderia agravar a condição de saúde.
Organizações não governamentais e instituições filantrópicas operam aproximadamente 30% de capacidade ociosa em equipamentos de imagem que poderiam ser direcionados para demandas reprimidas do SUS mediante parcerias, mas a burocracia para formalização desses convênios frequentemente impede essa complementação.
A telemedicina tem demonstrado potencial para reduzir exames desnecessários. Estudos indicam que cerca de 40% dos pedidos de exames de imagem poderiam ser evitados com avaliação médica mais criteriosa ou com uso de tecnologias de segunda opinião à distância, mas essa estratégia ainda é pouco implementada no sistema público.
O Que Fazer Quando Você Precisa de Um Exame de Imagem
Se você está em São Paulo e recebeu encaminhamento para tomografia ou ressonância, o primeiro passo é garantir que seu pedido foi inserido no sistema SIGA. Isso deve ser confirmado na própria UBS onde o encaminhamento foi feito. Mantenha o número de protocolo do seu pedido anotado.
A capital paulista e região metropolitana concentram aproximadamente 60% da capacidade de realização de tomografias do estado, enquanto o interior tem apenas 15% de cobertura adequada. Se você mora no interior, pode valer a pena verificar a possibilidade de realizar o exame em unidades de referência da capital, especialmente se houver indicação de urgência.
Os quarenta e três Ambulatórios Médicos de Especialidades espalhados pelo estado e o complexo HC-FMUSP funcionam como referência para casos priorizados. Se seu caso for classificado como prioritário mas a fila estiver longa na sua cidade, peça ao médico da UBS que encaminhe especificamente para essas unidades.
Ligue periodicamente para o número 136, que é o Disque Saúde nacional, ou para a ouvidoria da secretaria de saúde do seu município. Vagas surgem por cancelamentos e nem sempre são preenchidas automaticamente. Pacientes que mantêm contato regular têm mais chance de serem encaixados nessas aberturas.
Mantenha seus dados cadastrais rigorosamente atualizados na UBS, especialmente número de telefone celular. Aproximadamente 25% das vagas são perdidas porque o sistema não consegue contatar o paciente para confirmar o agendamento ou informar sobre antecipação de data.
Se sua situação for objetivamente urgente e a espera ultrapassar noventa dias, considere procurar a Defensoria Pública ou um advogado para avaliar a viabilidade de mandado de segurança. Tenha em mãos laudos médicos que justifiquem a urgência e toda a documentação que comprove a solicitação e o tempo de espera.
O acesso a exames de imagem no SUS em 2025 representa simultaneamente um direito garantido e um desafio logístico não resolvido. O sistema público realiza milhões de procedimentos anualmente sem custo ao paciente, garantindo diagnósticos essenciais para populações que não teriam outra forma de acesso. Ao mesmo tempo, as filas longas, a desigualdade regional brutal e os problemas de gestão operacional criam situações em que o direito formal não se traduz em acesso efetivo dentro de prazo clinicamente adequado.
A diferença entre ter um tomógrafo e conseguir operar esse tomógrafo de forma eficiente permanece o nó central do problema. Equipamentos parados por falta de insumo, profissionais insuficientes para atender a demanda e ausência de sistemas integrados de gestão explicam por que a expansão quantitativa de equipamentos não resultou em redução proporcional das filas.
Para o paciente individual navegando esse sistema, a estratégia mais eficaz combina persistência no acompanhamento do próprio caso, conhecimento dos canais oficiais de regulação e, quando necessário, disposição para recorrer a instâncias superiores ou ao judiciário em situações que não podem esperar.
Os dados de 2025 confirmam avanços em relação a anos anteriores, mas também deixam claro que o caminho para universalização efetiva do acesso a exames de imagem de qualidade e em tempo adequado ainda é longo e exige muito mais do que simples compra de equipamentos.
Mesmo com a redução gradual da desigualdade no acesso a exames de imagem, a fila de espera continua sendo o principal determinante da experiência do paciente no SUS. Em muitas regiões, a oferta até existe, mas o tempo até a realização do exame segue elevado por limitações de agenda e regulação.
No guia sobre como funciona a fila de exames no SUS, mostramos que a maioria dos estados não divulga publicamente a ordem real de atendimento, apenas o status do pedido.
Perguntas Frequentes sobre Exames de Imagem no Brasil
Quais são os principais tipos de exames de imagem disponíveis no Brasil?
Os principais tipos incluem tomografias, ressonâncias magnéticas e ultrassonografias.
Como é o acesso a esses exames pelo SUS?
Os exames de imagem são oferecidos sem custo no SUS, mas o tempo de espera pode variar.
Existem diferenças no acesso a exames entre o SUS e planos de saúde?
Sim, os planos de saúde geralmente oferecem mais agilidade e opções, mas podem ter custos elevados.
Quais desafios ainda existem em relação ao acesso a exames de imagem?
A desigualdade regional na disponibilidade de equipamentos médicos e o tempo de espera são os principais desafios.
Como o governo pode ajudar a melhorar essa situação?
Investindo em tecnologia e equipando unidades de saúde em áreas carentes para garantir acesso igualitário.
Fonte: Agência Brasil
