Microcefalia associada ao vírus Zika: estudo com 843 crianças relata alta ocorrência de alterações neurológicas e por neuroimagem — incluindo calcificações intracranianas, ventriculomegalia, redução do volume cerebral e anomalias de migração cortical — que se relacionam a atraso do desenvolvimento, déficits motores e epilepsia. O manejo exige acompanhamento multidisciplinar contínuo (neurologia pediátrica, fisioterapia, fonoaudiologia, oftalmologia e audiologia) e intervenções individualizadas. Políticas públicas devem priorizar centros de referência, ampliar acesso e financiamento à reabilitação, capacitar profissionais e fortalecer a vigilância e os registros para orientar ações e acompanhar desfechos.
Microcefalia zika reúne um conjunto de alterações neurológicas, sensoriais e motoras em crianças afetadas. Estudo com 843 participantes evidencia alta prevalência de lesões por neuroimagem, epilepsia e necessidade de acompanhamento multidisciplinar.
Principais achados clínicos e por neuroimagem
Em estudo com 843 crianças afetadas por malformações associadas ao vírus Zika, foram descritos padrões clínicos e alterações por neuroimagem que orientam o manejo multidisciplinar.
- Sinais clínicos principais: microcefalia congênita ou pós-natal progressiva, atraso global do desenvolvimento, hipotonia ou hipertonia axial, espasticidade e alterações do tônus muscular.
- Comprometimentos neurológicos: crises epilépticas frequentes, déficits motores persistentes, distúrbios do sono e necessidade de intervenções fisioterápicas e fonoaudiológicas contínuas.
- Alterações sensoriais e comportamentais: prejuízos visuais por atrofia óptica ou córnea opaca, perda auditiva neurossensorial em alguns casos e desafios no ganho ponderal e na deglutição.
- Achados por neuroimagem: calcificações intracranianas periventriculares e corticais, ventriculomegalia, redução difusa do volume cerebral, migrações anômalas do córtex (lisencefalia, pachigiria), além de hipoplasia do tronco encefálico e cerebelo.
- Correlação clínico-imagem: lesões corticales e migratórias associam-se a maior gravidade do quadro neurológico e maior risco de epilepsia; calcificações e ventriculomegalia são marcadores frequentes na população avaliada.
- Implicações práticas: necessidade de seguimento com neuroimagem seriada quando indicado, triagem auditiva e oftalmológica precoce, controle antiepiléptico individualizado e plano de reabilitação integrado.
Impactos no cuidado e recomendações para políticas públicas
O quadro exige estratégias integradas de cuidado e políticas públicas que assegurem atenção contínua e apoio às famílias afetadas.
- Modelos de atenção multidisciplinar: criar e articular centros referenciais e linhas de cuidado que integrem neurologia pediátrica, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, oftalmologia e audiologia.
- Acesso e equidade: ampliar cobertura territorial, oferecer transporte assistido quando necessário e reduzir barreiras econômicas e administrativas ao acesso a serviços.
- Capacitação profissional: programas de formação continuada para diagnóstico precoce, manejo de epilepsia, reabilitação e orientação familiar em atenção primária e especializada.
- Apoio psicossocial e econômico: garantir acompanhamento social, suporte psicológico para cuidadores e acesso a benefícios sociais e auxílios para custos de tratamento e deslocamento.
- Protocolos e instrumentos clínicos: padronizar protocolos para seguimento clínico, uso de neuroimagem, triagem auditiva e oftalmológica e elaboração de planos de intervenção individualizados.
- Financiamento e governança: priorizar recursos para serviços de reabilitação, aquisição de equipamentos e monitoramento de desempenho com indicadores de qualidade.
- Vigilância e pesquisa: fortalecer registros e bases de dados nacionais para acompanhar desfechos, avaliar intervenções e orientar decisões de política pública.
- Comunicação e educação comunitária: promover campanhas informativas sobre sinais de risco, rotas de acesso aos serviços e orientações para a rede de atenção e famílias.
Perguntas Frequentes
O que é microcefalia associada ao vírus Zika?
Condição congênita causada por infecção materna pelo vírus Zika, caracterizada por redução do perímetro cefálico e alterações neurológicas e sensoriais.
Quais os principais achados por neuroimagem?
Calcificações intracranianas, ventriculomegalia, redução difusa do volume cerebral, anomalias de migração cortical e hipoplasia do tronco/cerebelo.
Quais são as necessidades de acompanhamento médico?
Acompanhamento multidisciplinar contínuo com neurologia pediátrica, fisioterapia, fonoaudiologia, oftalmologia, audiologia e controle individualizado de epilepsia.
O que deve ser priorizado em políticas públicas?
Centros referenciais, ampliação de acesso e equidade, capacitação profissional, financiamento da reabilitação, vigilância epidemiológica e apoio psicossocial e econômico às famílias.
Fonte: BVSMS.saude.gov.br
